Mitos de Medicação - Episódio 1|5

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Mitos de Medicação - Episódio 1|5

Olá, pessoal !

Sejam muito bem-vindos a minha série “Mitos de medicação”!

Estou começando hoje uma série só sobre os muitos mitos que giram em torno do uso de medicamentos, principalmente em relação aos conhecidos vulgarmente como “psiquiátricos”.

Efeitos colaterais: verdades e mitos

Hoje em dia, com os avanços tecnológicos mais recentes, temos tanta informação desencontrada, pessoas que dão os mais variados palpites sobre tudo em blogs, sites e mídias sociais, que faz com que fiquemos afogados num mar de informações desencontradas sem ter mais certeza de muita coisa…

Até mesmo na área que tem como missão informar – os repórteres – se vê as fake news, não é?

Agora quando se trata de saúde pública, isso é muito mais temerário e urgente.

Mas não se preocupe: aqui você pode contar com anos de experiência na área de saúde mental e com material onde você pode confiar e tirar suas dúvidas.

Então vamos lá com o mito número um …

 

1 – Efeitos colaterais e a sua medicação

Aí você começou um tratamento para alguma afecção mental, seja ela depressão, ansiedade, etc, e logo nos primeiros dias sente uma piora importante e abrupta dos sintomas ansiosos, ou de angústia, agitação, insônia e irritabilidade e você já imediatamente pensa “Ah, deve ser esse remédio” e começam a pipocar mil e uma dúvidas sobre a medicação, o medo de ter crises cada vez piores e apreensão sobre o que fazer agora, não é?

Mas calma: vamos por partes.

Primeiramente, damos de cara com o medo, muitas vezes infundado, que as pessoas têm sobre psicotrópicos, os “remédios psiquiátricos”.

Geralmente é infundado porque já se toma de antemão uma atitude de que a partir do dia em que você começou o tratamento “tudo o que aconteceu deve ser culpa do remédio”.

Mas não! Existem uma série de outras causas, e se não dermos atenção a isso você corre um sério risco de querer interromper o tratamento que justamente mais pode aliviar os seus sintomas !

Na maioria das vezes, o efeito psicológico de começar um tratamento medicamentoso causa uma cascata de eventos cerebrais que culminam numa apreensão cada dia maior, por alguns motivos:

– Preocupar-se com os rótulos que você pode ganhar de amigos, familiares e até cônjuges por estar começando um tratamento psiquiátrico.

– Lembrar que está em tratamento todo dia, a cada vez que  chega o horário de tomar.

– Medo do futuro como “por quanto tempo vou ter que tomar isso?” ou “Isso é remédio de louco ou tenho um problema leve?”, e muitos outros …

Todas essas preocupações vão se somando até que você realmente piora – nos primeiros dias – dos sintomas no início, e você precisará de mais alguns dias para assimilar melhor o próprio fato de que está em tratamento e do quanto isso é importante para sua saúde.

Outro fator nesses primeiros dias é o próprio tempo da medicação – ela ainda demorará (como no caso de muitos antidepressivos) até quatro ou cinco semanas para fazer o efeito total e esperado.

E existe ainda outra questão: o tempo sem tratamento, uma vez que provavelmente você demorou um bom tempo até:
1. Perceber os sintomas
2. Sentir que algo estava errado
3. Vencer os próprios preconceitos em buscar tratamento – portanto finalmente parando de “tentar se controlar sozinho(a)” para ir atrás de um tratamento
4. Encontrar um profissional
5. Marcar consulta em um dia e horário que você possa
6. Começar efetivamente o tratamento

… então nesses primeiros dias de tratamento você tem que ter paciência (Ah, paciência de ansioso, doutor? Quem tem?) até que todos esses fatores que te mostrei acima comecem a agir, para então você começar a melhorar.

Muito bem.

Aí você começou a tratar, melhorou um pouco, mas depois de algum tempo começa a sentir sintomas novos, ou até mesmo uma piora dos que tinha antes.

E antes que você pense, de novo, “Ah, deve ser o remédio”, lembre-se que efeitos colaterais aparecem, na maioria dos casos, no início do tratamento – ou seja, se depois de alguns meses utilizando uma medicação você está apresentando novas queixas, calma: antes de culpar a medicação, procure ser avaliado, pois nesse período provavelmente a medicação já está fazendo todo o efeito esperado e pode muito bem haver outras causas para o que você está sentindo agora.

Mas que causas?

Isso eu vou te mostrar nos próximos episódios desta nossa série – aguarde 🙂